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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O Filho do amor



Capitulo oito

A agência Via Mídia estava bastante movimentada, Tereza tinha dificuldade em seu primeiro dia e foi confundida com uma secretaria, entregaram uma bandeja com café para que ela entregasse ao vice presidente da agencia. Como era o primeiro dia não se importou com o engano, só não fazia ideia de quem era o vice presidente, então foi procurando, olhando nas portas. Ela se distraiu olhando uma porta super decorada e quando se virou o vice presidente estava saindo da sala e ela derrubou a bandeja toda em cima dele.
- Olha o que você fez sua maluca, me molhou todo- disse ele de braços abertos, com a camisa toda manchada.
- Me perdoe é que é meu primeiro dia e eu não sei onde fica nada- disse humildemente, com sorrisinho meigo e mãos tímidas.
- Estão contratando amadores agora, você não serve nem pra servir cerveja num barzinho do subúrbio- as veias de seu pescoço pulavam de raiva, nem parecia aquele rapaz alegre descontraído do clube.
- Você é histérico assim todo dia?  Ninguém manda você andar com a cara pra cima palhaço.
- Limpa essa bagunça e some daqui sua idiota- entrou em sua sala.
- Cretino.
Uma das secretarias se aproximou- Oi tudo bem eu vi tudo. Você é maluca de enfrentar o vice presidente.
- Aquele histérico é o Luiz Alberto Barbosa?
- Sim, eu acho que você ta encrencada.
- Eu encrencada, você pode pedir pra alguém limpar aqui, por favor?- se encheu de coragem e entrou na sala de Luiz.
- Finalmente mandaram alguém trazer outra camisa pra mim, quanta incompetência- ele estava de costas e quando virou e a viu saiu de trás da mesa bufando- O que você ta fazendo aqui?
- Eu vim me apresentar.
- Eu não tenho tempo pra idiotices, eu tenho uma reunião daqui a pouco com pessoas importantes. Não tenho tempo pra secretaria incompetente.
- Eu insisto.
- Sai daqui- gritou ele e em seguida entrou Rubens o presidente.
- Algum problema?- perguntou ele aos dois.
- Eu ia me apresentar, muito prazer Tereza Rodrigues.
- Querida, muito prazer. Bem vinda a Via mídia, o Adalberto falou maravilhas sobre o seu trabalho.
- Eu estou muito feliz com essa oportunidade.
- E você Luiz, não diz nada?
- É um prazer conhecê-la e me desculpe pelos transtornos.
Tereza sorriu ironicamente e ele se roeu de raiva.
- Então, você já conheceu as instalações?
- Na verdade não, gostaria bastante.
- Que pena eu não poderei acompanhá-la, mas Luiz você pode fazer as honras?
- Eu?
- Claro, mas se você não puder tudo bem.
- Pra mim tudo bem, eu vou sem problemas.
- Muito obrigada querida e seja bem vinda mais uma vez- lhe deu a mão em cumprimento e saiu.
- O que você pretende?
- Pretendo te levar pra conhecer a empresa- lhe ofereceu o braço em um sinal de cavalheirismo e ela se negou e saiu na frente.
Duas salas a frentes, Luiz segurou na maçaneta- Que tal conhecer primeiro sua sala?
- É ai?
- Não aqui é o banheiro, certamente eu faria um grande mistério pra apresentar o banheiro a você.
- Não se cansa de ser palhaço não- o empurrou e entrou na sala- Nossa como é grande hein.
- Cabe toda sua ignorância aqui dentro, você já pode ficar descansada.
- Assim como sua sala cabe a sua falta de educação e histeria compulsiva.
- Você não tem medo de ser demitida mesmo não é?
- Medo de você, ainda se tivesse pinta de chefe, mas parece um personagem daqueles filmes de guerra, cabelinho arrumadinho, alinhado e sempre com essas mãos pra trás como se tivesse servindo no exercito.
- Isso é pinta de liderança minha cara.
- Há histérico como você é meu jovem, jamais. E vê se acorda, você está no Brasil, mas precisamente Goiás. Essa pinta só te faz parecer um burguês metido.
- Você não me conhece, então não vem me julgar.
- Ui ficou ofendidinho.
- É que a Via mídia é uma agência de publicidade, não é uma produtora de moda. E agora vamos continuar o tour, eu ainda tenho que trabalhar, eu não sou desocupado- Continuaram caminhando pela empresa todos ficavam fascinados com a beleza da moça de vinte e poucos anos e que distribuía simpatia pelos corredores. Luiz se ruía de raiva com a popularidade dela. Claro que não era unanimidade, pois tinha um grupinho que destilava veneno, mas Ledy colocava o grupo em seu lugar. Seu ponto fraco era o nome que para sua posição e opção sexual não o deixaram com glamour suficiente para ofuscar as invejosas.
- Nossa que espetáculo é esse aqui?- ao sair de sua sala, a já então citada porta super decorada que distraiu Tereza e provocou a tragédia.
- Essa é Tereza Rodrigues...
- Nossa mana, eu ouvi falar muito do seu trabalho. Só não sabia que você era tão linda assim.
- Muito obrigada.
- Muito prazer, eu sou a Ledy você pode contar pra tudo comigo aqui. Vem aqui- a chamou mais pra perto- Aqui tem cada naja que você não tem noção amada, por isso enquanto você não reconhece os venenos fracos dos fortes eu te auxilio.
- Vai ser um prazer.
- Não dá moral pro Ledisvaldo que ele é excessivamente alegrinho e isso afeta algumas áreas do cérebro dele.
- É que tem gente Tetê que gosta da cegueira afinal assim não tem que ter compromisso nenhum com nada- caminhou até a porta e virou novamente- Uma coisa, meu nome é Ledy, senhor testículos de ouro.
Tereza riu e Luiz saiu irritado e se trancou na sala, ela forçou a porta e então sem conseguir entrar seguiu para sua sala.
            Chegando em casa encontrou as duas  outras garotas que iam dividir o apartamento com ela.
- Oi meninas, tudo bom- disse ao vê-las na sala.
- Oi- disseram juntas.
- Logo no meu primeiro dia, eu não consegui ver vocês duas.
- A gente não foi à mudança tomou muito tempo- justificou Ana ajeitando os óculos que lhe tomava o rosto.
- Eu fui numa balada e essa ai ficou estudando como sempre- ajeitou o vestido que parecia uma pintura de tão colado.
- A Olga só pensa em balada- ajeitou os óculos novamente enquanto Olga mastigava chiclete com a boca aberta que era o que mais irritava Ana.
- Não se preocupem, foi tumultuado mais divertido. Eu vou tomar um banho que eu estou um lixo- disse pegando sua bolsa e caminhando desanimada.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Filho do Amor

Capitulo sete

Maria chegou em casa cantarolando e se deparou com Tereza desmaiada no chão, saiu gritando e logo a ambulância chegou.
- O que aconteceu com você minha amiga?!- disse olhando Tereza em sono profundo.
No outro dia, Santiago foi até o apartamento delas e não as encontrou e foi a portaria-  O senhor viu as meninas?
- Ontem uma delas foi pro hospital e as outras estão com ela- disse o porteiro.
- Qual das três?- perguntou aflito.
- A sua namorada.
- Meu Deus, o que houve?
- Eu não sei senhor, só sei que a ambulância levou ela.
- O senhor sabe o hospital que levaram ela?
- Eu acho que levaram para o hospital de urgências.
- Obrigada, eu vou lá.
Chegando na recepção se encontrou com Maria e Érica.
- E ai meninas como está a Tereza?
- Bem e o bebê também. Ela te disse né- disse Maria desconfiada.
- Disse sim.
- Nós estamos esperando dar o horário de visita pra gente ver ela.
- Eu posso ver ela primeiro, por favor.
Maria cruzou os braços.
- Você é o pai do bebê, claro que você vai entrar primeiro- disse Érica olhando para Maria que estava com emburrada.

O médico liberou e Santiago entrou, ela acabava de acordar quando o viu- Santiago.
- Oi, eu fiquei tão preocupado, o que meu pai te disse?
- Disse coisas horríveis, jogou dinheiro na minha cara, pediu para eu tirar o bebê.
- Meu Deus, acredita em mim, eu não pedi pra ele fazer isso. Eu juro.
- Eu acredito, mas eu preciso que você me diga uma coisa.
- O quê, eu digo o que você quiser?- disse pegando em sua mão.
- É verdade que você tem uma noiva? E que ela ta esperando um filho seu?
Santiago abaixou a cabeça.
- O que Santiago? É verdade isso?- disse nervosa.
- Calma, não fica nervosa.
- Como você quer que eu fique calma, você não responde.
- Ok, é a verdade que você quer?
- É sim.
- Eu tenho uma noiva que esta grávida de mim.
Tereza abaixou a cabeça e começou a chorar.
- Pelo amor de Deus não chora- disse tocando em seu rosto.
- Não me toca, então quer dizer que eu era sua diversão, claro. O que uma garota sem nome, não é assim que vocês dizem, podia te oferecer a não ser o corpo.
- Não, Você é muito mais que isso pra mim, tanto que eu vou comprar um apartamento pra gente.
- Você vai abandonar sua noiva grávida pra ficar comigo?
- Eu não posso desapontar o meu pai, mas enquanto eu estiver aqui eu moro com você e depois quando eu voltar e me casar, eu venho te ver.
Tereza ficou perplexa com a proposta de Santiago- Você ta querendo que eu seja sua amante?
- Não é amante meu amor. Eu só não quero ficar longe de você.
- Você ta achando que eu sou o quê? Eu nunca seria amante de ninguém, já não basta a humilhação que o seu pai me fez, agora vem você me afrontar dessa forma.
- Não Tereza.
- Eu não tenho dinheiro, não tenho a classe da sua noivinha, mas dignidade eu tenho de sobra. Esse tempo que a gente ficou junto você não me conheceu o suficiente pra saber que seria inútil uma proposta nojenta dessa.
- Quem ama, às vezes tem que passar por cima de algumas coisas.
- Isso que você ta falando é um amor egoísta. Agora sai daqui pelo amor de Deus, eu não quero mais olhar na sua cara.
- Não minha linda, e nós dois, o bebê?- disse se aproximando.
- Você já fez a sua escolha. Você rejeitou a mim e a ele quando teve a audácia de me fazer essa proposta nojenta. Além de traidor você não tem um pingo de caráter. Eu nunca odiei ninguém, mas você é a primeira pessoa que me faz sentir isso.
- Por favor, não diz isso eu te amo.
- Saia daqui agora, eu te odeio.
- Meu amor não- disse tentando tocá-la.
- Não me toca, fora daqui. Eu te odeio seu porco nojento- aos berros ela gritava, ela ficou tão nervosa que ao se mexer muito para mandá-lo embora, perdeu a veia do soro e as enfermeiras entraram, enquanto umas retiravam Santiago, outras socorriam Tereza que gritava e chorava descontrolada.
No outro dia as amigas foram visitar Tereza- Como você está amiga?- chegou perto da cama observando Tereza que olhava para cima como se olhasse para um ponto fixo.
- Tereza, você está nós ouvindo?- perguntou Maria.
- Meninas cadê minha mãe? Eu preciso da minha mãe, por favor, eu quero a minha mãe.
- Calma, a gente ligou para eles, já devem estar chegando. Fica calma- disse Maria beijando na testa. De repente batidas na porta e eram os pais de Tereza.
- Oh minha filhinha linda- dona Carla entrou chorando.
- Mãe me perdoa, por favor.
- Nós vamos à lanchonete pra vocês conversarem melhor- as duas saíram.
Da porta seu Mario ficou de longe observando as duas. Tereza chorava olhando para ele, pois sabia como ele era conservador e certamente ia repudiá-la por estar grávida e abandonada- Pai, eu fui tão humilhada- mal podia dizer aos prantos.
- Você não aprendeu nada que eu te ensinei menina- deu alguns passos em direção a cama- Você me fez passar o pior desgosto da minha vida, eu tive vontade de cometer uma loucura quando sua mãe me contou. Eu sabia que você era uma moça pura, que acreditava nas pessoas, mas nós te prevenimos quantas vezes eu te alertei.
- Não é hora pra isso Mario.
- Ele tem razão mamãe, ele tem razão.
- Não vê como ela está Mario, por favor.
- Eu vou pra Goiânia mãe, eu recebi uma proposta de emprego irrecusável, eu estava em duvida, mas agora eu tenho certeza. Meu filho precisa de mim e eu  vou trabalhar por ele e pra ele.
- Você vai mesmo minha filha?- perguntou entristecida.
- É a minha única opção.
- Pelo visto você não se esqueceu de tudo que eu ensinei, você se enganou, foi fraca, mas é digna e mesmo ainda no chão já ta sacudindo a poeira. Minha filha você tem a opção de voltar pra casa, eu sou seu pai e jamais vou te deixar sozinha. Você é como eu, não se deixa abater por nada e sempre acha um jeito de se levantar.
- Pai- disse chorando- Obrigado.
- Minha filha esse desgraçado nunca mais vai te fazer mal.
-E o que o senhor acha que eu devo fazer voltar pra casa ou aceitar a proposta de emprego?
- Você deve fazer o que te fizer feliz.
- Eu prefiro que você fique, mas vou respeitar o que você decidir.
- Eu poderia escolher a melhor opção, minha casinha. Mas eu devo seguir o meu caminho, trabalhar no que eu gosto e isso é muito importante pra mim.
- Nós estamos juntos com você minha filha- os três se abraçaram.
            Tereza ficou alguns dias no hospital ao sair já foi direto para Goiânia, seus pais e suas amigas á levaram até o apartamento alugado no Setor Bueno.
- Amiga mais aqui é incrível, deve custar uma nota. E olha essa vista.
- Eu não vou morar sozinha, amanhã chegam mais duas meninas que também vão trabalhar na agencia. Elas optaram por um lugar mais perto da agencia e como eu precisava de pessoas pra dividir o aluguel, aceitei. E com a divisão não ficou tão caro.
- Filha eu não quero te deixar aqui sozinha.
- Relaxa mãe, eu estou bem. Eu repousei bem no hospital, eu estou muito bem.
- Deixa a menina Carla.
- Amiga nós temos que ir, amanhã é segunda-feira e o batente vai ser feio. Fica bem viu- disse Maria abraçando-a.
- Eu nem tive tempo de dizer “Eu te avisei”. Mas enfim “Eu te avisei”, pronto agora to satisfeita.
- Eu estava estranhando você não dizer isso.
- Depois disso nada de abraço não é?
- Depois não merecia, mas como eu te amo eu te abraço forte- a abraçou calorosamente.
- Nós também temos que ir, eu já não dirijo mais como antes, não posso pegar estrada à noite.
- Eu quero ficar mais um pouco Mario.
- Não Carla, se despeça, vai ter muito tempo pra visita-lá.
- Filha qualquer coisa liga pra mãe, segue a dieta que o doutor passou a risca, se cuida que o transito aqui é intenso e não esquece que eu amo você- lhe deu um abraço apertão.
- Pode deixar mãezinha, eu também te amo.
- Já chega, agora é minha vez. Vem cá minha filha- lhe deu um abraço- O Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário vai te proteger nessa vida nova que você ta começando.
- Amém pai- Tereza os levou até a porta- Mãe manda um beijo pra Talita, fala pra ela trazer a Katiuscia, pense numa tia com saudade.
- Pode deixar meu amor, fica bem. Tchauzinho.
Todos saíram, Tereza arrumou as roupas no armário e foi a sacada, de lá se via o parque Vaca Brava, olhando o parque se lembrou que um de seus planos com Santiago era morar em frente ao parque e dançar a beira do lago. Com uma buzina de carro Tereza voltou a si, olhou para o lado e viu um rapaz sem camisa, muito bonito que a observava. Tereza olhou para os lados e não havia ninguém então ela entrou e fechou as cortinas. Caminhou até a cama, quando sentou olhou para a mala e viu algumas fotos no fundo da mala. Eram fotos que ela e Santiago tinham tirado numa cabine no shopping, as lágrimas caíram em seu rosto e ela começou a rasgar as fotos.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Filho do Amor

 Capitulo Seis

Santiago foi buscar Tereza em casa e eles foram para o restaurante, ela estava muito nervosa não sabia como começar a dizer a ele sua suspeita.
- O que você queria me dizer Tereza?
- É que nessa viagem eu descobri tantas coisas e uma delas é que eu te amo e quero ficar com você pro resto da vida! - disse com os olhos cheios de lágrimas.

- Pois é, mas eu já sabia disso desde que te conheci.
- Eu queria te dizer que você é o cara mais incrível do mundo pra mim.
- Jura?
- Claro e agora você vai ser esse cara incrível para essa coisinha que ta aqui dentro. Nosso filho querido.
- Filho? Que filho?- se engasgou todo ao dizer.
- Eu fiz exame de farmácia e deu positivo, eu não fiquei com medo um minuto por que eu tenho você aqui do meu lado.
Santiago ficou imóvel e calado.
- Não vai comer e nem falar nada?
- Eu perdi a fome.
- Papai de primeira viagem é assim mesmo, agora eu tenho que ir. Preciso resolver umas coisas no trabalho depois te ligo.
- Ta bom, vou pedir a conta- ele pagou e os dois saíram. Lá fora se despediram carinhosamente quando Nelson desceu do carro e viu a cena, ela entrou no carro e foi embora, Nelson surpreendeu Santiago.
- O que você fazia com aquela mulher?
- Era uma amiga pai.
- Amiga com benefícios é? Eu nunca vi amigo se despedir dando beijo na boca.
- Pai é que...
- É o quê? Se você não falar a verdade vai se ver comigo.
- Ta bom pai. Ela é uma namorada que eu tenho aqui, tudo estava indo bem até que ela me disse que está grávida.
- Você é um idiota mesmo, cair num golpe velho desses, pelo amor de Deus. Se brincar o filho nem é seu.
- Pai ela não é assim, ela nunca me trairia pra dar um golpe.
- Você pediu pra transar sem camisinha e ela quis não foi?
- Foi, mas...
- Ela já tinha tudo planejado, já devia ter parado de tomar a pílula e o idiota confiou nela. Eu não devia te ajudar, mas como é o meu dinheiro que ta em jogo eu vou fazer isso. Agora me dá o endereço da golpista.- lhe estendeu a mão.
- Não precisa pai, eu resolvo isso sozinho.
- Eu que vou resolver isso e pronto, me dá logo isso- Santiago tirou um bloquinho anotou e entregou ao pai o endereço de Tereza.
       Nelson ficou esperando Tereza por muitas horas, até que por volta de dez da noite ela chegou, ao ouvir o porteiro informar que era o pai de Santiago, ela prontamente pediu que ele subisse.
- Oi tudo bem seu Nelson, é um prazer conhecer o senhor, mas cadê o Santiago?- disse ao abrir a porta.
- Não te ensinaram que é educado chamar as pessoas para entrar antes de enche-las de perguntas- disse ele entrando.
- Me desculpe, por favor. Entre, o senhor não quer um suco, uma água. Senta por favor- disse nervosa com o jeito brusco do sogro.
- Não quero nada, o que eu vim fazer aqui não vai ser preciso nem eu me sentar.
- O que houve? É com o Santiago?
- Me deixa concluir garota, se vê que educação você não tem um pingo. Eu só vim dizer que é pra você não procurar o meu filho mais.
- Como assim?
- Ele tem uma noiva que está grávida dele e ele não quer que você atrapalhe o casamento dele.
- Isso é mentira- disse aos prantos.
- Ele não quer uma vagabunda como você, golpista barata.
- Eu não sou vagabunda.
- Se você acha que com essa criança vai prender meu filho ta enganada, você pode tirar essa criança que eu te dou uma boa quantia que certamente vai fazer com que sua vida melhore muito.
- Isso não ta acontecendo, para. Eu nunca tiraria um filho- disse caindo sentada perto do sofá.
- Não adianta fazer número, eu não sou o imbecil do meu filho. Você vai desaparecer da vida dele com essa criança. Não me importa como e se você teimar em querer pensão eu te mato, minha família nunca teve um escândalo e não é agora que vai ter.
Tereza só conseguia chorar.
- Você não quer dinheiro, toma dinheiro sua vagabunda- disse jogando dinheiro nela que estava no chão ao lado do sofá- Desaparece das nossas vidas vagabunda- disse saindo.
Tereza tirou uma nota que estava sobre sua coxa e caiu desmaiada.

 

sábado, 7 de setembro de 2013

O Filho do Amor

Capitulo cinco

- Eu não quero um idiota como você, entende, você é um idiota- essas palavras eram como facas entrando no coração de Luiz Alberto, que acordava de madrugada e não suportava aquela dor e saia. Sempre ia para o Parque Vaca Brava que sempre estava vazio a essa hora e ele podia pensar, correr, chorar sem ninguém para observa-lo.

Enquanto corria as lembranças vinham sucumbindo seu coração, parecia que jamais ia esquecer o pesadelo que viveu, ainda era tão real, nem mesmo as suas conquistas e farras o fazia esquecer essa tormenta. Aquela mulher era como uma droga, mesmo estando tanto tempo sem vê-la ainda podia sentir seu cheiro, lembrar de tudo como se tivesse acontecido ontem.
- Eu não posso ficar presa, eu sou livre, gosto de viajar e de não ter compromisso- afirmou a ele como se falasse da coisa mais preciosa de sua vida.
- A gente pode se casar, a gente viaja na lua de mel. Quando as crianças vierem podemos viajar nas férias.
- Você ta maluco, eu não quero ser mãe, já marquei uma laqueadura. Eu não quero ser mãe jamais e muito menos casar.
- Mas você não gosta nenhum pouco de mim?
- Eu gosto de você, não dessas ideias idiotas, antigas mais que minha tataravô. Eu não quero um idiota como você, entende, você é um idiota. Não me procura mais ok.
Isso só não atormentava mais ele do que seu acidente que teve consequências muito graves, ele era do tipo de adolescente que queria se arriscar a todo custo achando ser um super homem, ele tinha acabado de ganhar uma moto de seu pai, ao fazer dezoito anos e foi para uma balada, bebeu demais e voltando pra casa sofreu um acidente. Ele ficou muitos dias hospitalizado, o abalo emocional foi tão grave que ele entrou em depressão, ele quase teve que amputar a perna e isso lhe fez refletir muito sobre a vida. Depois do tratamento ele nunca mais foi o mesmo, pareço estar retratando duas pessoas diferentes, o malandro pegador e o cara frágil e traumatizado, mas estou falando de um homem só que como todo ser humano tem seus dois lados e que não sofre vinte e quatro horas no ar, mas que tem um coração despedaçado e cheio de coisas boas a oferecer e a receber.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Filho do Amor

Capitulo quatro

Tereza voltou para Anápolis e foi ver as amigas. Estava louca para vê-las e contar as coisas incríveis que viveu em tão pouco tempo, quando chegou em casa foi uma festa- Gente eu to tão feliz- disse abraçando as amigas.
- A gente estava morrendo de saudade de você amiga, como foi a viagem?- perguntou Érica ansiosa.
- Ai gente, vocês não tem ideia. Eu recebi uma proposta pra trabalhar em Goiânia- esperou a reação das amigas e gritaram juntas- Ah...
- Amiga eu não sei explicar pra você o orgulho que eu estou sentindo de você, você merece de verdade.
- Ai obrigada Maria- as duas se abraçaram.
- Eu vou morrer de saudade de brigar com você- entrou no abraço caloroso.
- Tem mais uma coisa meninas, que vai fazer com que talvez eu não aceite este trabalho; -elas desfizeram o abraço desconfiadas- Não é uma tragédia gente, calma.
- Então o que é?- perguntou Maria curiosa.
- Eu acho que eu to grávida.
- Oi?
- Não pera, isso não pode estar acontecendo.
- O que foi gente? Eu e o Santiago vamos casar, pelo amor de Deus.
- Agora é a prova dos nove, se esse cara presta ou não.
- Ele vai amar a noticia, inclusive eu vou vê-lo agora mesmo.
- Não espera, você tem certeza ou acha que esta grávida?
- Eu fiz o teste de farmácia e deu positivo, só falta o exame de sangue Érica.
- Como você pode estar tão calma!? - resmungou Maria.
- Eu estou calma, por que eu tenho o melhor homem do mundo e a nossa família vai ser linda e ponto. Agora me deixem ir falar com meu lindo, tchau até mais tarde- disse saindo.
- Maria eu não sei não viu, mas dias difíceis viram .
- Eu também não estou tendo um pressentimento muito bom com essa historia de gravidez não.
        Tereza apertou a campainha e Santiago foi atender- Q saudade meu anjo- disse ela euforica.
Santiago fechou a porta rapidamente e a abraçou- Eu também linda.
- Uai não vamos entrar?- perguntou desconfiada.
- É que eu estou numa reunião com uns amigos da empresa.
- Mas eu preciso falar contigo, é serio. Duas noticias maravilhosas.
- Agora não dá, depois a gente se fala.
- "êh cabocô", você ta me enrolando.
- Não to não, é que eu não quero aqueles gaviões te secando. Linda do jeito que você é, eles vão ficar te olhando e eu não vou aguentar isso não.
- Oh ciumento do meu coração- disse lhe dando um beijo.
- Ta, ta bom- se afastou dela- Amanhã a gente almoça junto e você me fala tudo.
- Porque não pode ser hoje? A gente janta hã.
- Amanhã a gente almoça, te pego as dez, agora eu tenho que entrar.
- Eu sempre faço o que você quer, ás dez então.
- Tchau- virou as costas.
- Ei não vai me dar nenhum beijinho- disse fazendo bico, ele voltou e deu um selinho e a levou até o elevador, quando a porta fechou Fernanda saiu do apartamento.
- O que foi amoreco?
- Nada, vieram me avisar que eu tenho que assinar uns papeis no trabalho.
- Ta bom, vamos entrar sua mãe ta ganhando do seu pai no xadrez.




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Filho do Amor

Capitulo três

Tereza começou a pensar sobre o que as amigas falaram de Santiago, sua cabeça questionava, mas o coração se negava a acreditar que ele tinha vergonha por ela não ser da mesma posição social dele- Eu não posso acreditar nisso, ele vai contar para os pais dele e tudo vai dar certo, eu tenho certeza – as lágrimas desciam em seu rosto.
A campainha tocou, ela enxugou as lágrimas e foi atender a porta- O que você quer?- disse ao dar de cara com Santiago.
- Não vai me convidar pra entrar não?
- Entra, mas se você não tiver uma noticia boa, pode sumir.
- Linda eu liguei pra eles, mas eles estão viajando- disse Santiago, todo manhoso.
- Some daqui ok- caminhou até a porta.
- Tereza, por favor. Eu tenho culpa se eles viajaram!?
- Hoje em dia os hotéis têm telefone sabia disso?
- Meu pai não dá telefone de onde ele vai ficar ele não suporta os outros ligando enquanto ele ta trabalhando. Deixa de bobeira minha linda- disse puxando-a para perto.
- Se você tiver me enganando, eu não vou te perdoar.
- Você fica ai me recriminando, mas eu também não conheci seus pais, poxa vida.
- Não seja por isso, daqui trinta dias gente vai pra lá. Esse dias não dá, ta complicado na faculdade.
- Combinado então, agora vem aqui vem- a puxou pela cintura.
- Capaz bonitão, eu ainda to chateada, a minha impressão é que você tem vergonha de mim.
- Como assim mulher? Vergonha de uma gata dessas, minha deusa favorita pô.
- Como mente meu Deus, mas eu amo esse mentiroso.
- Ah eu sou mentiroso, beleza. Me tirando uma hora dessas, não beleza.
- Eu disse que te amo- segurou o rosto de Santiago e encheu os olhos de lágrimas.
- Eu também te amo minha linda- os dois se beijaram e se amaram como aquela fosse à última vez. Santiago como todos os homens pediu que eles transassem sem camisinha, Tereza estava tão emocionada, pois, era a primeira vez que ele dizia que a amava então não se importou, já que pelas suas contas e lá não estava em período fértil e tomava religiosamente o anticoncepcional, pelas doenças não se importava, pois sua confiança era cega nele.  Tinha certeza da sinceridade daquele amor que ele lhe oferecia todos os dias, ele não era um cara carinhoso no dia-a-dia, mas aqueles momentos íntimos já se faziam suficientes diante do amor que Tereza sentia por ele. Também era uma despedida, pois Tereza ia fazer uma viagem de trabalho, ela ficaria três semanas por lá.
                Três semanas depois Santiago se preparava pra almoçar, quando a campainha tocou. Ele abriu a porta, seus pais e sua noiva estavam lá parados. Ele ficou sem reação, Fernanda sua noiva pulou e o abraçou- Que saudade bebê, você estava com saudade da sua amoreca? 
- Vocês não avisaram que vinham, me pegaram de surpresa- disse ele nervoso.
- É assim que você recebe a sua noiva, mãe do seu filho- desenganchou de cima dele e cruzou os braços.
- Me desculpem, entrem por favor, eu só estou surpreso, vocês não avisaram que vinham.
- É claro, você sempre arruma uma desculpa- sento-se no sofá segurando na pequena barriga que pouco aparecia na roupa.
- Estava querendo esconder alguma coisa Santiago?- resmungou Nelson.
- Não pai, eu só estava atolado de coisas pra fazer.
-Ai filho me dá um abraço, mamãe estava morrendo de saudades de você- abriu os braços e ele prontamente correu para os seus braços.
- Não tem nada pra comer aqui não amoreco?
- Tem sim, é simples. Mas se vocês quiserem a gente vai no restaurante.
- Não, tudo bem filho. Ta ótimo assim- se levantou e foi até a mesa.
- Pra mim ta bom também- Fernanda se sentou esfomeada.
- Eu preferia um bistrô- disse Nelson que adorava provocar o filho.
- Senta e come meu bem, por favor.
Nelson se sentou e Santiago ficou ali por alguns minutos tentando descobrir um modo de fazer com que eles não encontrassem com Tereza.
- Mor vem comer, vem- chamou fazendo voz de criança e Santiago sentou apreensivo, seu pai percebeu, mas só observou quieto.